Os Caminhos

A EXPERIÊNCIA MÍSTICA

Os Caminhos

É de fato, e por definição, um oxímoro (figura que consiste em reunir conceitos contraditórios) tentar "definir objetivamente" a "inefável experiência mística"; ela é inefável porque não cabe, em sua totalidade, no contexto cognitivo onde ocorrem o pensamento e a linguagem lógica, a razão — algo bem reconhecido por Stace:

«É evidente que nossa investigação sobre se os estados místicos possuem características comuns é empírica; não podemos esperar nenhum absolutismo universal ou a priori como nos modelos matemáticos… Qualquer escritor honesto familiarizado com as experiências místicas sabe que as regras comuns do pensamento humano são totalmente irreconciliáveis, que elas quebram as regras da lógica» — Stace, W. T., em "Mysticism and Philosophy".

Esse estado de consciência especial parece poder ser alcançado de maneiras distintas: de forma espontânea, por estados contemplativos, meditativos, e também "artificialmente" — com o auxílio de substâncias psicoativas que, nas culturas indígenas, são utilizadas de modo ritualístico e controlado. Conforme descreve Bergson, enquanto a mente analítica fragmenta a realidade, a intuição a apreende como totalidade — e esta seria, em essência, a forma de conhecer própria da experiência mística.

O papel da intenção é fundamental: a experiência mística não acontece "ao acaso" — ela exige uma atitude interna de abertura, de entrega, e de busca. Trata-se de um estado de "consciência expandida e dilatada"; e essa praxis pode ser contextualizada e orientada de maneira "interna" ou "externa".

Podemos talvez falar de "caminhos" ou "vias": a "via interna", a dos que meditam, dos filósofos, dos eremitas e dos teístas; e, por outro lado, a "via externa", a dos contemplativos, dos artistas, dos naturalistas, dos panteístas.

Utilizo a palavra "contemplação" no sentido da absorção do olhar e da mente; por exemplo, na beleza de uma flor.

«Correndo pela horta, de repente notei um lírio. Parei subitamente, fascinado pelo brilho e pela beleza desse ser floral. O azul intenso e o amarelo da flor se estendiam em céu e sol no universo criativo da criança, tudo orquestrado pelo canto do rouxinol e da cigarra. Despertado pela chuva, esqueci o que devia colher e voltei para minha mãe: — Vi uma flor! — Vai buscar rabanetes imediatamente, meu filho!»

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